Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.
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segunda-feira, 1 de abril de 2019

SNU e Dumbo: Algo em comum?



Para fazer tempo enquanto a teenager assistia a um concerto, embarquei numa maratona cinematográfica e vi Snu e Dumbo, em exibição num cinema perto de si, de uma assentada.

Coisas mais distintas mas com pontos de interesse que me levavam a querer ver os dois.

Gostei muito da interpretação da SNU, pela Inês Castel Branco. Aliás, o filme vale pela sua consistente interpretação. Para uma história de amor, falta-lhe tensão, paixão, algo mais poderoso e intenso (uma escaldante cena de sexo, quem sabe?!), que completasse as cenas em que se evidencia a arrebatante história de amor entre aqueles dois personagens históricos de Portugal. As referências políticas ficam um pouco perdidas para quem não está tão familiarizada com o período, sendo que não consegui identificar alguns personagens, a quem ninguém chamou pelo nome. Não querendo ser um filme de cariz político ou histórico e, sim, a tal história de amor (como referiu a realizadora no making off, que me despertou a curiosidade em relação ao filme), falta-nos esse pedacinho de informação para que tudo fizesse mais sentido.
Falta-lhe um bocadinho de power, de adrelanina... que se isola na intensidade da representação da Inês.

E, vendo este filme, penso que falta mesmo a realização de um outro, chamado Francisco… ou Chico… Just saying!





Depois deste ambiente politico-amoroso, entrei no mundo da Disney. Adorei o trailer e tinha altas expectativas. Em altas, anda o Dumbo a voar por todo o lado. A imagem linda que me fica: ele a subir no circo em direcção à luz. Apesar de ser a versão inglesa e em 3D, o meu deslumbre fica por aqui, um filme que seria um bom entretém numa tarde de domingo chuvosa à lareira, enrolada no sofá.

Fica a mensagem do politicamente correcto ou, simplesmente, elementar decência, como diz @nunomarkl em relação à proibição dos animais no circo. E lá está, mais uma vez, a razão pela qual não posso levar os pequenos a ver estes filmes: os miúdos perderam a mãe, o pai regressa da guerra sem um braço, o Dumbo é separado da Mamã Jumbo… só choradeira pegada.


Foi agradável… mais ainda para as minhas perninhas que não se cansaram a andar aquelas horas pelo shopping fora, a fazer tempo para levar de volta as garotas, que deliraram com o Shawn Mendes.

Haja juventude!


sábado, 8 de outubro de 2016

Não me estraguem mais livros...




(post para ler se já leram o livro e estão a pensar se querem ver o filme, ou se já foram ver o filme)

Pronto, mais uma que confirma a regra: o livro é muito superior ao filme.
Saí ontem da sala de cinema com a sensação de amargo na boca. Como se tivesse bebido um café excelente, mas que na última golada só apanhei borra.

É claro que ninguém espera os pormenores, as sensações únicas de tanta página percorrida avidamente à procura de desenvolvimentos e revelações de nos levantar da cadeira, retratados em hora e meia. Essa é a realidade que muitas vezes estraga as adaptações ao grande ecrã.

O que acontece com esta adaptação é que o desejo de transportar o lado lúgrebe e decadente da protagonista é tão exagerado que o filme se torna soturno em demasia, lento em demasia, calado em demasia. 
Sentimo-nos inebriados, como Rachel. Ao ponto de os olhos se quererem fechar, Os pormenores 'errados' são mais que muitos a começar pelo lado tão limpinho, elegante de blazer vestido da protagonista que não existe na desleixada e gorda Rachel do Livro, o pano de fundo ser Nova Iorque enquanto no livro tudo se passar nos subúrbios de Londres, o telefone de Megan encontrado na mala do computador em vez do saco de ginástica.

Enfim, details... 

É uma adaptação. Pergunto-me até se o objectivo da mudança de tantos factos será uma afirmação da liberdade na adaptação. O êxito do livro criava expectativas muito altas e assim há uma salvaguarda. É uma adaptação. Livre. E quase sem banda sonora...Como poderiam existir tantas outras, A minha seria de certo diferente. Mas também não sou realizadora de cinema,nem argumentista.

Pergunto-me se, quem não leu o livro, terá percebido alguma coisa do enredo. Uns adolescentes no elevador, perante as nossa críticas disseram-nos que sim. E que gostaram bastante.
Ainda bem para eles...

Espero que não me estraguem mais livros.
Assinado:membro-nº1-dos-leitores-de-livros-contra-as-adaptações-para-cinema-(tirando-O-Código-da-Vinci, vá...)