Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A solidão e outras mariquices




Pronto, não é o post mais positivo para começar o ano mas é para o que nos dá...
Depois das festas, estou mais em modo Grinch e a desesperar por arrumar a árvore e  todas os enfeites de Natal espalhados pela casa. Toca a limpar tudo....
E quando limpamos tudo, quando realmente olhamos para nós, despidos de todos os enfeites e todas as máscaras, há uma coisa da qual não podemos de certeza fugir.... 
É a de que estamos irremediavelmente sós. Inevitavelmente sós. E enquanto não soubermos aceitar essa realidade, viveremos sobre a ilusão de que a mãe e o pai estarão sempre lá, e que o a/o nossa/o companheiro nunca nos deixará, que os filhos sempre dirão " Estou aqui" e que aquela/e amiga/o nunca te faltará.
A verdade é que esta estupidez, mariquice vá, da solidão é tão real, tão brutal e tão absolutamente inevitável... que, ou aprendemos a lidar com ela, e aprendemos ou reaprendemos a estar sozinhos com nós próprios ou seremos cada vez mais infelizes.
Relembrem quantas vidas já viveram com os vossos pensamentos, quantos "se" já construíram e desconstruíram, quantos sonhos levantaram na vossa mente e os mesmos pensamentos os derrubaram.
Esta mariquice não é brincadeira e dói... e por isso temos de aprender a darmos um abraço a nós próprios.
A verdade é que morreremos sozinhos. Ninguém irá connosco para nos fazer o favor de nos acompanhar.
Esta mariquice e a forma como lidamos com ela é a nossa salvação.
Acredito em Deus. E que nada me faltará. Mas há que fortalecer na solidão. Quando ninguém nos dá a mão e somos nós que temos que ir lá ao fundo do coração procurar o nosso conforto. Porque só nós percebemos como sentimos, porque só nós sabemos o que queremos dizer e só nós é que sabemos exactamente o que precisamos. O nosso abraço.
Felizes, mesmo se sós. Felizes, mesmo quando sós.
Portanto, deixem-se lá de mariquices...Bom ano!

"Solidão não se cura com o amor dos outros. Se cura com amor próprio." Martha Medeiros


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Porra, será isto a crise dos 40?!


E se de repente soubesses que a tua vida termina dentro de um ano? Ou dois? Ou cinco, vá?
Mudavas alguma coisa? Paravas para pensar no que andas a fazer, se o que fazes te deixa feliz?
Não, não estou doente.
Simplesmente parei para pensar e analisar.
Porque, por estupidez pura, deixamos arrastar os dias, sem que façamos a diferença. Sem que o dia conte. Sem que algo de novo seja feito ou experimentado. E quem diz algo novo diz algo de rotineiro que seja verdadeiramente apreciado.
É certo que não conseguimos ser produtivos neste tipo de acções verdadeiramente significativas todos os dias. Os níveis de motivação alteram com o tempo, o frio, o calor, o comentário jocoso de um colega, a TPM, o raspanete do patrão, a não resposta do marido...ou o resultado do futebol.
Estamos demasiado receptivos a energias negativas que nos chegam de todo o lado e deixamo-nos influenciar por elas, muito mais do que pelas positivas.
Então, e se soubesses que a tua vida tem um fim próximo, demasiado próximo para poderes desperdiçar os dias com discussões inúteis, com sentimentos rancorosos ou com actividades despidas de qualquer proveito para a humanidade... mas para a humanidade que és tu, em primeiro lugar. TU!
Sei:
...tens que ganhar a vida a passar códigos de barra na fila de caixa, 
...tens de mandar calar os alunos cada vez mais malcriados nas aulas desde as 8 e meia da manhã até te deixarem vir para casa, 
...tens de te levantar cedo, cedo demais quando todos os outros estão a dormir, para pegar um volante. 
Tens de pôr o pão na mesa. 
E isso agarra-nos a profissões que não gostamos mas que nos encontraram ao virar da esquina e que, por um ou outro motivo, nos foram entrando na pele. E por mais que penses que podes esfregar esse dia-a-.dia ranhoso, que te corrói aos bocadinhos, ele agarrasse a ti para um sempre. Recalca-te o coração, aperta-o, mas fazes de conta que não sentes.
Um sempre, que não sabemos se é um dia ou uma eternidade. Um ano, dois, cinco?...
E coragem? Onde é que ela morreu nos anos loucos de irreverência, em que podias abraçar o mundo de tanto entusiasmo? Onde nada te detinha e os sonhos te faziam sorrir nos olhos, no coração, na alma?
Como te deixaste pisar pela segurança de um dia igual ao de ontem e ao de amanhã, sem conseguires levantar-te para fazeres a diferença. A diferença para ti, o respeito por ti, por aquilo que disseste a ti próprio que serias e que não conseguiste ser...

Porra, será isto a crise dos 40?!

Estou tramada... se calhar vou ter mesmo de me levantar da cadeira... e fazer qualquer coisa.
MESMO.