Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.
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sábado, 25 de abril de 2015

A linha que separa a palavra e o compromisso




Em dia da liberdade apetece-me ser livre.

Imaginem esta situação: alguém surgido do nada, aparece num restaurante para reservar um serviço. O restaurante apresenta o seu serviço, a sua casa, o seu empenho. O potencial cliente apresenta o seu pedido. Pormenores são discutidos, exigências são feitas. Entre elas que seja servida imperial e não cerveja em garrafa, e que estejam disponíveis litros e litros já que o grupo é inglês e bebe muito, que camarões 30/40 sejam cozidos no dia anterior, que o bacalhau seja acompanhado de pimentos, que o espumante seja brut, que o bagaço seja daquela marca x… enfim. Por fim, é exigida uma prova à cerveja para fechar o negócio. Logística accionada, favores pedidos para que tudo seja satisfeito, contacta-se o cliente para realizar a prova e fechar o negócio, a acorrer em dois dias.
Telefone desligado, nunca mais ninguém atendeu.
De repente, ao final do dia, recebe o restaurante um telefonema, de outro restaurante a perguntar se tinha tido um contacto semelhante. Nesse restaurante, já o senhor tinha feito despesa (comido e bebido), mas na hora do pagamento o cartão falhou e a conta ficou para pagar juntamente com o serviço, aquele mesmo serviço que, pelos vistos andou a requisitar por vários restaurantes da região.  
Esta situação é real e aconteceu nestes dias. Ainda sinto algumas reticências quando à burla em questão. Porque além de uma encomenda exagerada de cerveja, que se pode devolver e de um café que foi oferecido ao senhor, não tem, o primeiro restaurante mais despesa. No segundo, já foi mais o estrago.
Será para tirar medidas para algum assalto, ou só para ver o local mais apropriado para pregar a pastilha?
Louvo o empenho do senhor do segundo restaurante, que sabe já onde está hospedado este senhor, o carro, etc… E o cuidado que teve em falar com a concorrência.
Vejamos: o serviço não estava completamente fechado, e aqui é que a linha ténue entre a palavra e o compromisso deixa a LIBERDADE hoje mal vista. A palavra do restaurante, dos seus donos não poderia falhar. Essa é, aliás, a premissa de quem está neste negócio sem pretensões de enganar ninguém. O compromisso do outro lado, em não nos fazer perder tempo nem dinheiro, falhou redondamente. Quero crer que, para além da burla, há um desequilíbrio qualquer… Tanta história, tanta, conversa…Ilusão.
Sejamos livres para denunciar (pelo menos!) estes casos e assim, escaldados, seremos também livres para, infelizmente, duvidarmos um pouco de todos, para bem de todos também.

Hoje apetece-me ser livre para denunciar todos os que põem a liberdade dos outros em causa com as suas acções. Continuo a pensar que os fins não justificam os meios.


Sou filha da Revolução de Abril, nasci 9 meses depois. Quando tinha 20 anos fui convidada pela Junta de Freguesia da minha terra para fazer um discurso…. Na altura, disseram que não tinha sido eu a escrevê-lo, mas sim o meu pai, opositor, em eleições anteriores, do executivo em funções. Pois bem, lamento desapontar essas vozes camufladas, porque há uma linha ténue que separa a minha palavra, que honro, e o meu compromisso, em ser uma pessoa real. Essa linha chama-se autenticidade.

(Uau...soube bem tirar isto de cima dos ombros, estava aqui entalado há uns anos!!! Sinto.me livre!!)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Somos runners!


Correr está na moda, caminhar está na moda - fazer desporto está na moda. Seguindo esta tendência (há coisas bem piores a seguir, convenhamos!), participei na Scalabis Night Race, em Santarém, no passado sábado, por sugestão e desafio de amigos.
O tempo estava de feição para proporcionar uma caminhada agradável. Com t-shirts iguais para cada corrida (5 ou 10km, sem esquecer, à tarde, os escalões dos mais novos), a cidade tomou uma animação de que está ávida, e à qual só testemunhei semelhante ânimo por altura da Feira Nacional de Agricultura, onde também adoro tomar banhos de multidão.
Com o dress code definido, restava desfrutar do ambiente, do convívio que este tipo de encontros proporciona. Aliás, este grupo de amigos tem-se reunido pouco (eu sei que vocês vão ler isto...ehehe) e o pretexto foi excelente.
Respeito quem leva a sério (ou com demasiada seriedade!) a corrida em si. Recorde-se que a corrida começou por ser apenas um grupo de amigos, que foi crescendo, que gostava de correr, beber e comer - mote da corrida - e que se tornou, em 2 anos, num evento nacional de relevo, dentro desta área. Mas eu diverti-me à brava, caminhando (apenas caminhando) pelas ruas de Santarém. Admirando o ambiente, conversando e vendo a paisagem. Para além dela, entristece as ruas bonitas, salpicadas de escuras lojas fechadas (tantas, tantas!), fachadas escuras de prédios abandonados (tantos, tantos!). Aguardemos a reabilitação.
Os meus parabéns à organização, com a calma ribatejana, sem deixar de ter o sangue na guelra, sabendo trazer o nosso humor tão característico em benefício próprio. Adorei o slogan: "Suor, bifanas e tinto.

Em Santarém corremos assim!" Mesmo à Ribatejo!! Sim, porque o tintinho a meio caminho, a bifana e o pampilho, no final, souberam pelas horas!! E o vídeo?? Espectacular! Podem ver aqui.

Com apontamentos musicais e lúdicos pelo caminho, onde não faltaram os campinos, e, em vésperas de 25 de Abril, arrepiei-me ao passar na Escola Prática de Cavalaria, local de partida de Salgueiro Maia, ouvindo Paulo de Carvalho com Depois do Adeus. Mais, senti-me reconfortada (parece um estado de alma do Facebook ;)) por, em conversa com a minha filha de 11 anos, perceber que também foi esse o momento que a emocionou...(Missão transmitir a importância do 25 de Abril aos filhos: check!)
Grata pela experiência!
A repetir, para o ano, com todos!

PS: Entretanto que venha a FNA! Em Junho, lá estaremos para mais banhos de multidão!