Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.
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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Desta indignação que nos move...




É simplesmente asqueroso o vídeo que hoje circula viralmente pelas redes sociais.
Esta indignação que nos moveu e move a todos com múltiplas partilhas e recriminações por acto tão estúpido quanto brutal explica-se pela proximidade que nos toca. Muitos pais de adolescentes e pré-adolescentes vêem um dos seus maiores pesadelos tornado realidade em míseros 13 minutos de angústia: os seus filhos transformados em coisas horrendas, desumanas, frias e manipuladoras, passivas perante violência arbitrária. Só porque sim.
Nos noticiários do almoço discutia-se qual o motivo das agressões. Mas QUE MOTIVO? Pergunto-me onde aconteceu o click que os tornou assim, a primeira conversa que tiveram sobre o assunto, assumindo que seria razoável, cool fazer tais acções?... Ou aquilo foi impulso do momento? E um impulso torna-nos assim, animais?

Não consigo compreender onde é que pode falhar a ligação pai-filho para provocar tamanha atrocidade... Todos sabemos que os nossos filhos se comportam de forma diferente quando não estão ao pé de nós... Mas esta delinquência choca por essa proximidade, de tão real quanto assustadora (possível?).
Agora virão os psicólogos e pedagogos dizer de sua justiça, quanto ao castigo adequado.
A vida toda, chega?!


Como e onde procurar ajuda?
Devo Denunciar?




quinta-feira, 16 de abril de 2015

Não tens legendas na testa...

Os olhos mexem, quase que sentimos os neurónios a falar e a responder, a ralhar e a acalmar. O fumo sai pelos ouvidos e quase pega fogo ao cabelo. Mas uma palavra?! Não... Nada, zero, niente....
É oficial: receio que a mais velha chegou àquela fase de ser preciso um alicate do tamanho do mundo, um subterfúgio enorme de recursos de discurso para lhe arrancar uma palavra....
Sentimos que tudo aquilo fervilha, que ela tem um diabinho sobre um lado a dizer-lhe palermices e a desafiá-la para atitudes, palavras ou comportamentos que já sabe que os pais irão reprovar; e um anjinho fastidioso no outro, com a sensatez que, nesta idade, só apetece chutar para canto. Parece um anúncio de iogurte... mas não é.
Queríamos ser mosquinhas, little bugs dentro daquele cérebro a expandir ideias e tentar percebê-las."Não tens legendas na testa! Por favor, explica-te, deita cá para fora!"
(Bolas, apesar de já nos entas, a adolescência está toda aqui na memória!!!...A incompreensão do mundo tão presente nos ralhetes e reprimendas que ouvíamos todos os dias da nossa mãe e, quando a coisa era séria, do pai)
As vezes que a vejo a iniciar uma frase... e a arrepiar, caminho. Abana a cabeça, como quem diz: " Não vais compreender, não vale a pena."
Mas vale, vá, deita cá para fora, eu também já passei por isso, eu vou entender. Mas ela acha que não... e abana a cabeça.(Onde é que estão as legendas, meu Deus?)
Sinto-me a jogar um jogo, qual money drop, onde é impossível manter tudo o que está em jogo, e que, a cada resposta falhada, perdemos um pouco da ligação tão próxima que tínhamos e nos afastamos pelos caminhos das idades estúpidas e cruéis que nos tornam (des)humanos (as adultas, leia-se!)...
Não tens legendas na testa! Experimenta, vá... pode ser que te surpreenda...ou que nos surpreendamos as duas.