Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trump: enfiar o boné





Medo.
Muito medo.
Perdi umas horas de sono esta noite a tentar perceber o desenrolar dos resultados norte americanos na corrida à casa branca.
Perplexa, quando pelas 3 e tal da manhã, se percebe que não há volta a dar: Trump vai governar os EUA, Trump vai governar o mundo.
Alguém alguns dias atrás dizia que as eleições nos Estados Unidos são tão importantes para o mundo que todos devíamos votar... no mundo inteiro.
Assusta-me ter este homem com os códigos nucleares na mão.
Só consigo lembrar frases como: contra negros, contra mulheres, contra mexicanos, contra emigrantes, muros, muros, muros, violações...
Hillary perde por não saber descer ao povo. Mas tenho medo deste povo que se aventura neste tão incerto personagem, num momento de tão grande tumulto mundial.
Mas o povo votou. A democracia e a liberdade debatem-se- já alertou ontem Júdice a Judite de Sousa.
'With great power comes great responsability.'
Custa-me entrar em modo reality show para a Casa Branca. Já tive pesadelos a vê-lo a acenar na varanda  com o seu chapéu.
Que grande chapelada leva o mundo esta quarta-feira.  
Medo, muito medo.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Estou órfã de livros...




Estou órfã de livros...
Tenho tantos que não li mas o último deixou-me já vai para umas semanas e parece ... falta -me mesmo qualquer coisa.
O problema é que gostei tanto do livro que não o consigo substituir assim... Ando a fingir que leio o Diário de Ann Frank, porque me falta fazer este check na minha lista...e  porque vou ajudar a minha quase teen, já que é de leitura obrigatória para ela no 8ºano. 
É que desde O Código da Vinci que não ficava tão entusiasmada com uma leitura.

A Verdade sobre o caso Harry Quebert é, para mim, um thriller emocionante.( Pronto, se quiserem ler o livro não leiam mais deste post e mergulhem na leitura)

São 684 páginas (na edição limitada) de puro prazer. A estrutura, a intriga, o passado revelado e o presente ainda perturbador, com o processo de escrita envolvido no meio disto tudo.As páginas percorrem-se sem esforço. Tudo porque todas as páginas são necessárias. Todos os detalhes contam. E todos os pormenores, quando chegamos à última página, se encaixam na perfeição. Nenhum detalhe, do presente ao passado, do livro 1,2 ou 3 é deixado ao acaso.
É um puzzle com peças pequeninas, a 3 ou 4 dimensões e que umas não passam sem as outras.
É um labirinto onde se tem de percorrer todos os cantos, mesmo os que não têm saída, para conseguirmos sair com todo o conhecimento necessário.
(E não me venham falar de argumentos roubados e Lolitas... Não aprofundei muito a questão, sou pelos direitos de autor... mas ideias repetidas é o que há mais neste mundo mas escrever assim, também não se copia, há que ter engenho. O Rodrigues dos Santos também inventou um Robert Langdon português....)
Gostei. Amei.
Leiam, e depois digam se tenho ou não razão.




(Se um dia escrever um livro gostava que tocasse as pessoas como este me tocou)

sábado, 8 de outubro de 2016

Não me estraguem mais livros...




(post para ler se já leram o livro e estão a pensar se querem ver o filme, ou se já foram ver o filme)

Pronto, mais uma que confirma a regra: o livro é muito superior ao filme.
Saí ontem da sala de cinema com a sensação de amargo na boca. Como se tivesse bebido um café excelente, mas que na última golada só apanhei borra.

É claro que ninguém espera os pormenores, as sensações únicas de tanta página percorrida avidamente à procura de desenvolvimentos e revelações de nos levantar da cadeira, retratados em hora e meia. Essa é a realidade que muitas vezes estraga as adaptações ao grande ecrã.

O que acontece com esta adaptação é que o desejo de transportar o lado lúgrebe e decadente da protagonista é tão exagerado que o filme se torna soturno em demasia, lento em demasia, calado em demasia. 
Sentimo-nos inebriados, como Rachel. Ao ponto de os olhos se quererem fechar, Os pormenores 'errados' são mais que muitos a começar pelo lado tão limpinho, elegante de blazer vestido da protagonista que não existe na desleixada e gorda Rachel do Livro, o pano de fundo ser Nova Iorque enquanto no livro tudo se passar nos subúrbios de Londres, o telefone de Megan encontrado na mala do computador em vez do saco de ginástica.

Enfim, details... 

É uma adaptação. Pergunto-me até se o objectivo da mudança de tantos factos será uma afirmação da liberdade na adaptação. O êxito do livro criava expectativas muito altas e assim há uma salvaguarda. É uma adaptação. Livre. E quase sem banda sonora...Como poderiam existir tantas outras, A minha seria de certo diferente. Mas também não sou realizadora de cinema,nem argumentista.

Pergunto-me se, quem não leu o livro, terá percebido alguma coisa do enredo. Uns adolescentes no elevador, perante as nossa críticas disseram-nos que sim. E que gostaram bastante.
Ainda bem para eles...

Espero que não me estraguem mais livros.
Assinado:membro-nº1-dos-leitores-de-livros-contra-as-adaptações-para-cinema-(tirando-O-Código-da-Vinci, vá...)

sábado, 23 de julho de 2016

As Raparigas Esquecidas e o verbo Anuir




Como leitura de férias, escolhi um thriller (um dos meus géneros preferidos- cá romantismos em forma de prosa de mariquices não são muito o meu género), sugerido num post da NIT, que podem ver aqui
As sugestões eram várias, mas não queria um calhamaço, para juntar a alguns livros que tenho em casa, começados, em que avanço e recuo, mas que ainda não dei conta do recado.
E lendo o resumo do enredo, como geralmente faço,  optei por este livro de Sara Blædel , considerada a rainha dos trilers psicológicos do Norte da Europa.
180 páginas… vamos a isso.
Em 3 dias, o livro leu-se, sem dificuldade, sem rodeios e com um enredo até interessante, sendo que já não era a primeira vez que contactava com a realidade nórdica (se bem que já lá vão uns anos desde que li Os Homens Que Odeiam as Mulheres de Stieg Larsson
A questão que me levou a escrever este post deve-se à tradução do livro. Não percebo nada de norueguês nem conheço a sua versão original, mas penso que não deixo por maus caminhos a nossa Língua Portuguesa (sem acordo ortográfico, conforme explicado aqui).
A questão está muito para além das grafias mas sim da fluidez do discurso e das bengalas de expressão a que nos agarramos.
Facilmente percebem o que vou descrever se vos disser que a minha quase teen se abeirava de mim e dizia: “Esse é o livro do anuir?” e quando se punha a ler por trás do ombro e dizia: “Anuir, outra vez?”
Sim, vezes e vezes sem conta. Está uma pessoa interessada em perceber o que aconteceu ou vai acontecer e lá vem a frase A A anuiu…O B anuiu. O C anuía enquanto andava…
Ao ponto de desconcentrar da leitura e, esperançosa, pensar: “ Bem, não vai aparecer outra vez…a revisão de texto não deixava passar.”
É que a expressão até nem é muito usada na nossa língua, ou serei só eu? E mesmo que se use e que seja eu que não esteja habituada, de certeza que não se pode repetir tanta e tanta vez.
Fica uma história assim assim, sem vontade de ler a sequela, já que ficou um mistério do passado da protagonista por resolver a uma página do final do livro e facilmente a nossa imaginação nos pode levar a entender o que se passou, e assim fugir a mais 300 vezes de ter de ler a dita expressão.Sugiro ao tradutor  e à revisora um bom dicionário de sinónimos. Às vezes, um “acenou com a cabeça que sim” pode ser a melhor tradução. Digo eu que nãopercebo  nada disto.

(Quem ler, pode anuir… se quiser)


terça-feira, 7 de junho de 2016

Rapazes, vamos lá ser uns homenzinhos!



Novo campeonato, novos desafios, nova esperança em sermos grandes...
Já sabemos que, no próximo mês, todas as atenções vão estar voltadas para Paris e  para o Euro 2016. Mais ainda, aqui, para além da paisagem da Europa central, estaremos de olhos postos nos nossos heróis, armados em craques e nas possíveis alegrias que nos trarão... ou não...
Ladies, tenham calma e entrem na onda! Vamos todos ver o desporto rei.
Bora lá voltar a pôr bandeirinhas nos prédios, no carro, na bicicleta, no braço enquanto corremos.
Portugal, rise up! Toca a formar fileiras e marchar...
Áustria, Hungria e Islândia .... nos aguardem, né?

No entanto, urge dar um recadinho aos nossos representantes dentro das 4 linhas.
- Meninos, toda a gente percebe que esta passagem pela selecção é um  momento dentro da vossa carreira, que vos pode dar ou já deu no passado alguma visibilidade. Mas isso, verdade seja dita, não é o mais importante para vós. Toda a gente sabe que os euros passam pelas vossas transferências para o clube A ou B, pelas vossas e pelas contas dos vossos agentes. E isso é o que faz o vosso ano. Também sabemos que pode ser até a última vez que representem a selecção. Pode ainda ser que a não mais queiram  representar. 
Mas tenham calma. Concentrem-se no que estão a fazer. No fim, seja ele mais cedo ou mais tarde, haverá tempo para conferências de imprensa, comunicados e fontes que, de repente, têm a informação mais importante do mundo do futebol português. 
Isto já aconteceu no passado. E cai mal, cai muito mal. Distrai. Muito.E faz-nos sentir, a nós comuns-mortais-com-ordenados-da-treta-mas-que-gostam-de-ver-o-país-bem-representado, desrespeitados, como se nós, enquanto nação, não fossemos suficientemente importantes para vós.

E nesse mesmo sentido, senhores da imprensa, sobretudo portuguesa, take it easy! Deixem os rapazes jogarem e depois façam as perguntas que, agora e enquanto durar a nossa participação no Euro, só serão inconvenientes, só criarão mau ambiente.

Por isso, rapazes, vamos lá ser uns homenzinhos!
Foco! Lutem lá pelo caneco. Nós aqui, para além da paisagem dos milhões dessa Europa, humildemente, agradecemos.


terça-feira, 17 de maio de 2016

O nosso lugar seguro


Todos temos o nosso lugar seguro.
O lugar onde nos sentimos em segurança.
Onde nos sentimos calmos, descansados e sabemos que não seremos incomodados porque é um jardim proibido, onde só vai quem tu quiseres...
É um local, onde temos o nosso colo. Não o da mãe, nem o do pai, nem da irmã do coração. Nem o da amiga que é mais do que isso. Nem do nosso amor de toda a vida.
É um local sagrado. Que descobrimos porque a vida nos obrigou.
Porque a vida nos tirou todos os chãos e todas as escadas. Todas as saliências a que nos pudessemos segurar. E nos fez perder a esperança e a fé. E nos mostrou que o fim está aqui, todos os dias à nossa frente, mesmo que não o queiramos enfrentar. Que estamos em queda livre.
E nesse abismo em que estamos.... descobrimos o nosso lugar seguro.
Ele está lá.


Há palavras que se esvaziam de sentido perante a enorme dor que assola tantas pessoas...
Que possam encontrar o vosso lugar seguro. Em solidão ou na companhia dos que amam.
Sempre. Hoje. agora, sempre que a dor for dilacerante. Sempre.
Sempre.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Religiões há muitas...



Percorri hoje uma estrada no Portugal profundo, caminho muito movimentado nesta altura do mês de Maio pelos peregrinos que vão até Fátima, motivados pela sua fé, pelas suas promessas, pela sua gratidão, pelos seus anseios e tormentos.
Num curto espaço de tempo, encontrei situações curiosas e fiz associações estranhas.

Em primeiro lugar, o semblante de algumas dessas pessoas, por baixo de capas que as abrigavam da chuva fez-me lembrar as mesmas capas que vimos este fim de semana, nos fãs (ou menos fãs) dos AC/DC. Religiões diferentes... cada uma com a sua.

De seguida vi um pergrino encapuzado, rosto e tudo que mais parecia um terrorista - hoje, enquanto ouvia na rádio mais uma notícia de um atentado na Alemanha. Religiões ... cada um com a sua.

Mais à frente, sinais de trânsito temporários alertam para manutenção na via. Andam uns senhores a acortar a vegetação da berma. A sério? Com tanto peregrino na estrada, não havia outra altura?? Antes, or exemplo??  Respeito pela segurança ... e pela religião...

Eis que, com todo o cuidado e velocidade reduzida em que conduziam os carros na zona, pára tudo! Um peregrino atravessa a estrada para que outro, do lado oposto, lhe tire uma selfie, com os campos verdejantes por trás e um sorriso rasgado na hora. Peregrinação a quanto obrigas!

Por último, vejo um caminhante, com o cachecol do Benfica ao pescoço. Era eu uma gaiata, fiz uma promessa a Nossa Senhora para que o Benfica se sagrasse campeão europeu. Aprendi na altura a lição e desde então, nunca mais misturei estas duas religiões

Nossa Senhora estará certamente mais ocupada com situações mais urgentes, prementes e necessárias. É preciso dizê-lo?

Religiões... respeitam-se mas não se misturam.
Haja respeito.