Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.

domingo, 29 de março de 2020

Este horrível mundo novo...

Acordo de noite em sobressalto, e dá-se um momento de tomada de consciência...
Pandemia, estado de emergência, vírus, morte...
Sim, é verdade... Não estamos num filme nem é um pesadelo. É a nossa realidade. A nossa nova realidade.
Olho os meus filhos e penso que recordações terão deste tempo de isolamento, penso como reagirão se algum de nós ou da família contrair a doença.
Fazem-me tanta falta os afectos. O toque de uma festa, um conforto no ombro, um abraço sentido, um beijo .... tantos beijos que deixei de dar.

Desde que este período horrível começou, e sem saber ainda a dimensão que tomaria, inquietava-me o ar preocupado do director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Perguntava-me como é que uma pessoa no lugar que ele ocupa não transmitia segurança. Não podia, não pode. E a tez enrugada que continua a envergar continua a fazer apertar o meu coração.

Tento ver notícias apenas uma vez por dia. O que é certo é que vou espreitando, é inevitável. Da frieza dos britânicos, vêm frases incríveis:" Se ficarmos abaixo das 20 mil mortes, é porque fizemos bem." Inacreditável. Fazem-se especulações sobre a mutação do vírus, sobre uma nova vaga no Inverno. E depois há chefes de estado que são, utilizando as palavras do primeiro-ministro repugnantes. Trump, Bolsonaro, Johnson... e tantos, mas tantos outros. Muitos morrerão pela sua mão. Nem nos nossos piores momentos, pensámos viver uma situação assim. 
As frases soam já demasiado repetidas, a incredulidade mantém-se.

Como muitos, tenho a minha vida profissional suspensa. Assusta-me. Muito.Tempos de guerra não eram para nós... Há lá no fundo uma réstia de esperança de que isto passe rápido, de que venha um dia, o dia em que saímos à rua e pronto, está tudo bem.

Custa-me imenso não ser optimista. Mas continuarei a ser. Inevitavelmente. Há momentos menos bons, mais desesperados.
Mas não nos resta outra opção senão perseverar.
Neste horrível mundo novo, resta-nos acreditar que  vai ficar tudo bem.
Só pode.





sexta-feira, 6 de março de 2020

Caro Covid 19

Serve o presente para te dirigir algumas palavras.
Começo por te dizer, muito directamente, que não és bem vindo. Cada vez te aproximas mais e lanças o pânico nas mentes mais paranóicas por onde passas.

Estás a destruir o que resta de humanidade nos seres humanos entediados, com a cabeça baixa nos ecrãs dos tablets e dos smartphones. 

Estás a dar armas aos introvertidos para que deixem de contactar com o próximo,  de tocar os idosos e de os visitar, e para que deixem que os mimos e os abraços e os beijos sejam o factor diferenciador nas relações cada vez  mais frias entre os humanos.

Acredito que os abraços vão salvar o mundo. E tu, covid19, que nem ao 20 chegas, destróis este caminho de carinho entre duas pessoas. E assim, em todo o mundo.

Os olhos podem sorrir mas a pele precisa de contacto, para que a energia do amor se transmita. Não há colo que seja demais, não há cafuné que as palavras possam soprar... e já nem estas podem ser ditas ao ouvido, presas na distância de segurança que tu nos impões.

Estás a retirar-nos o conforto no coração, que nos é dado pela certeza e pela fé de que podemos andar na rua sem que o mundo termine num diagnóstico de Adamastor, de Leviathan, de Godzilla, de King Kong... enfim, do pior monstro de todos... mesmo que seja o das bolachas, que podem até faltar na prateleira do super da esquina.

Desejo ardentemente que, de tanto te anunciares, todos te conheçam as manhas, que te denunciem as estratégias de disseminação e que, da tua sombra aterradora, te transformes num mosquitinho indefeso. E que assim voltes para as profundezas das cavernas, com teus amigos morcegos e pangolins e com eles vivas para sempre na escuridão.

Vai te retro,
Uma mãe de 2 filhos, calma mas atenta aos teus passos


domingo, 8 de dezembro de 2019

Temos Feira!


Há um ano atrás, neste dia, escrevi aquele que foi o post mais controverso deste blog.
Apontei, na altura, a tristeza que sentia ao ver uma Feira Anual da minha terra sem sentido, em coma profundo, num tempo de consumismo e futilidades.  Muitos concordaram e muitos criticaram. Mas foi o que foi.

Um ano volvido, tenho de dar os parabéns aos organizadores do 1º Festival do Azeite, inserido na Feira Anual de Pernes. Recuperou-se uma vida, em 3 dias e não só no dia 8, que chamou as gentes, o tecido económico, as colectividades. Valorizou-se o produto da terra, da economia local e que tão aglutinador foi no passado. E o tronco a arder... que memória boa recuperada!

Já fiz a minha voltinha matinal, parte da minha tradição e volto depois de já ter “enfeirado”, 
-com uma comidinha caseira das tasquinhas da terra, 
-do queijinho seco, 
-de duas voltas de pinhão para os miúdos 
-e uns tremoços para antes de almoço. 
Ah, e um pão doce também. É a minha tradição.

O recinto está mais composto, ainda que com muitas aberturas lá pelo meio, talvez o tempo não esteja a ajudar. Mas ainda assim, gostaria de ver mais artesanato, mais trabalhos manuais, tão ricos que temos por aí; a parte exterior é ainda muito dos mercados semanais que por aí encontramos.

Ainda assim, pude sentir, nas minhas visitas à feira, o entusiasmo das gentes… e isso é valiosíssimo!

A minha tradição continua ao almoço, com cachola, pois com certeza… e amigos à volta da fogueira. Mais logo, outra voltinha para participar mais um pouco na rejuvenescida feira, com uma fartura a acompanhar…

Quem me conhece, sabe que gosto mais de elogiar do que criticar. Espero que quem ler sinta o impulso de partilhar/comentar tão grande como aquele que sentiram na crítica do ano passado.

Porque a história tem de se fazer de coisas boas e bonitas. Mesmo podendo sempre continuar a melhorar e corrigir…

Temos Feira!







sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Recebi uma mensagem de Natal...

Hoje recebi uma mensagem de Natal. De Amor.
Esta mensagem surge na sequência de um trabalho, de um serviço prestado. 
Mas esta pessoa pensa como eu: fazer com amor, com entrega, com coração, com alma... é outro nível.
É outro nível de energia.
E, mais importante que a mensagem, é o gesto, é o carinho... são as emoções. Do lado bom do coração.
Tão grata me sinto por ter destas pessoas na minha vida. E sei, que quando ela diz que já pertencemos à sua família, está a sentir mesmo isso. Porque só assim faz sentido.
Porque neste mundo cruel, regido pelo dinheiro, o interesse, o negócio, poder...  é de uma riqueza enorme podermos apenas SER
- quem somos, sem máscaras
- quem queremos, sem ofensas
- quem desejamos, sem culpa

E acredito que podemos. Podemos sê-lo e assim seremos mais felizes.

Sinto uma imensa gratidão pelo que recebi hoje. Por tudo, mas, sobretudo, por este gesto que voa pelos wi-fi desta vida e toca os corações do outro lado.
Também já pertences à nossa família.
Obrigada, M.





domingo, 1 de dezembro de 2019

Querido Natal

Agora sim, chegaste! No tempo certo, que é o de fazer a árvore e contar os dias certos. Do 1 até ao 24, sem esquecer de nenhum chocolatinho.

Dizem-te consumista, enganador, com Black fridays e blue weekends e semanas inteirinhas de pseudodescontos a apelar às prendinhas que te pomos aos pés.

Dizem-te uma fraude, porque chegaste vestido de um vermelho que anunciava bebida fresquinha e fizeste esquecer que nos reunimos para celebrar o nascimento de Jesus.

Dizem-te vazio de significado, porque apenas nesta altura nos lembramos dos valores cristãos, da fraternidade, da ajuda ao próximo e do perdão.

Dizem-te enfadonho, porque nos cansas com jantares e almoços sem fim, para celebrar o que nem sempre (ou nunca) acontece durante o ano: a sã convivência e a honestidade entre os humanos.

PORÉM...

Agradeço-te a lembrança de que podemos ser melhores. Sempre.

Agradeço-te que nos faças sentir que a gratidão é o caminho.

Agradeço-te que nos aproximes de Jesus, relembrando o seu propósito de vida

Agradeço-te que nos derretas os corações, com canções lamechas e gestos carinhosos inusitados.


                                                      



E agradeço-te os momentos rezingões de montagem da árvore, as birras pela escolha das bolas e pela decoração eleita para cada ano.

E agradeço-te estas pequenas tradições que criámos e que (já) são assumidas como tal por todos, reclamando-as como imperativas para que o Natal aconteça.


Porque dia 1 é para montar a árvore .
Porque o musgo tem de ser verdadeiro.
Porque o mais novo põe a estrela com a ajuda do pai.
Porque transformamos a casa com projectos DIY, para além do já habitual.
Porque agora ...
                                                     

AGORA, sim:

ESTÁ ABERTA A ÉPOCA DE NATAL



quarta-feira, 13 de novembro de 2019

16 anos a somar!

Não sei encontrar hoje as palavras...
São 16 anos, 16! Como é possível?!



Hoje é o teu dia. TEU! Da celebração da tua vida, dos teus sonhos, das tuas paixões e também desamores. Dos sorrisos e das lágrimas. Dos dias bons, muito bons e menos bons. 

Mas, também, da alegria de te ver crescer e voar.  De ver os teus olhos brilharem com a perspectiva de sonhos tangíveis. 

Porque é isso que tens de acreditar: que todos os que tens e virás a ter são concretizáveis, estão ao alcance do teu esforço e trabalho. E com a estrelinha que te acompanha, sempre.

Voa, filha, voa bem alto!
Estarei sempre aqui para ti, tu sabes.

Amo-te!


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Banksy e o direito à manifestação

Visitámos a exposição de Banksy no fim de semana, na Cordoaria Nacional em Lisboa. Entre perceber quem é, o seu humor e mente distorcida, que nos tira o chão assim que pensamos estar a perceber qualquer coisinha da sua mensagem, fica esta ideia: todos temos direito à nossa opinião, a manifestá-la e defendê-la, sem censuras e sem preconceitos.




Hoje a minha mais velha participou na sua primeira manifestação. Pela resolução do problema de poluição em Alcanena, que prejudica a saúde de todos os que vivem ou passam grande parte dos seus dias ali. Tive de explicar ao mais novo que uma manifestação é uma coisa boa, que é um direito de todos, de mostrar a sua posição sobre determinado assunto. Penso que os exemplos de manifestações violentas que vê repetidamente na televisão lhe têm dado uma visão distorcida deste acto.

Tive de explicar que esse é um direito de todos nós e que ninguém nos deve censurar por isso. Que vivemos num país democrático, em liberdade, onde todos nos podemos expressar sem represálias, sem castigos e sem perseguições, ainda que veladas.

E não temos de nos esconder no anonimato de nenhum Banksy para nos fazermos ouvir.
Verdade?