Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Rapazes, vamos lá ser uns homenzinhos!



Novo campeonato, novos desafios, nova esperança em sermos grandes...
Já sabemos que, no próximo mês, todas as atenções vão estar voltadas para Paris e  para o Euro 2016. Mais ainda, aqui, para além da paisagem da Europa central, estaremos de olhos postos nos nossos heróis, armados em craques e nas possíveis alegrias que nos trarão... ou não...
Ladies, tenham calma e entrem na onda! Vamos todos ver o desporto rei.
Bora lá voltar a pôr bandeirinhas nos prédios, no carro, na bicicleta, no braço enquanto corremos.
Portugal, rise up! Toca a formar fileiras e marchar...
Áustria, Hungria e Islândia .... nos aguardem, né?

No entanto, urge dar um recadinho aos nossos representantes dentro das 4 linhas.
- Meninos, toda a gente percebe que esta passagem pela selecção é um  momento dentro da vossa carreira, que vos pode dar ou já deu no passado alguma visibilidade. Mas isso, verdade seja dita, não é o mais importante para vós. Toda a gente sabe que os euros passam pelas vossas transferências para o clube A ou B, pelas vossas e pelas contas dos vossos agentes. E isso é o que faz o vosso ano. Também sabemos que pode ser até a última vez que representem a selecção. Pode ainda ser que a não mais queiram  representar. 
Mas tenham calma. Concentrem-se no que estão a fazer. No fim, seja ele mais cedo ou mais tarde, haverá tempo para conferências de imprensa, comunicados e fontes que, de repente, têm a informação mais importante do mundo do futebol português. 
Isto já aconteceu no passado. E cai mal, cai muito mal. Distrai. Muito.E faz-nos sentir, a nós comuns-mortais-com-ordenados-da-treta-mas-que-gostam-de-ver-o-país-bem-representado, desrespeitados, como se nós, enquanto nação, não fossemos suficientemente importantes para vós.

E nesse mesmo sentido, senhores da imprensa, sobretudo portuguesa, take it easy! Deixem os rapazes jogarem e depois façam as perguntas que, agora e enquanto durar a nossa participação no Euro, só serão inconvenientes, só criarão mau ambiente.

Por isso, rapazes, vamos lá ser uns homenzinhos!
Foco! Lutem lá pelo caneco. Nós aqui, para além da paisagem dos milhões dessa Europa, humildemente, agradecemos.


terça-feira, 17 de maio de 2016

O nosso lugar seguro


Todos temos o nosso lugar seguro.
O lugar onde nos sentimos em segurança.
Onde nos sentimos calmos, descansados e sabemos que não seremos incomodados porque é um jardim proibido, onde só vai quem tu quiseres...
É um local, onde temos o nosso colo. Não o da mãe, nem o do pai, nem da irmã do coração. Nem o da amiga que é mais do que isso. Nem do nosso amor de toda a vida.
É um local sagrado. Que descobrimos porque a vida nos obrigou.
Porque a vida nos tirou todos os chãos e todas as escadas. Todas as saliências a que nos pudessemos segurar. E nos fez perder a esperança e a fé. E nos mostrou que o fim está aqui, todos os dias à nossa frente, mesmo que não o queiramos enfrentar. Que estamos em queda livre.
E nesse abismo em que estamos.... descobrimos o nosso lugar seguro.
Ele está lá.


Há palavras que se esvaziam de sentido perante a enorme dor que assola tantas pessoas...
Que possam encontrar o vosso lugar seguro. Em solidão ou na companhia dos que amam.
Sempre. Hoje. agora, sempre que a dor for dilacerante. Sempre.
Sempre.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Religiões há muitas...



Percorri hoje uma estrada no Portugal profundo, caminho muito movimentado nesta altura do mês de Maio pelos peregrinos que vão até Fátima, motivados pela sua fé, pelas suas promessas, pela sua gratidão, pelos seus anseios e tormentos.
Num curto espaço de tempo, encontrei situações curiosas e fiz associações estranhas.

Em primeiro lugar, o semblante de algumas dessas pessoas, por baixo de capas que as abrigavam da chuva fez-me lembrar as mesmas capas que vimos este fim de semana, nos fãs (ou menos fãs) dos AC/DC. Religiões diferentes... cada uma com a sua.

De seguida vi um pergrino encapuzado, rosto e tudo que mais parecia um terrorista - hoje, enquanto ouvia na rádio mais uma notícia de um atentado na Alemanha. Religiões ... cada um com a sua.

Mais à frente, sinais de trânsito temporários alertam para manutenção na via. Andam uns senhores a acortar a vegetação da berma. A sério? Com tanto peregrino na estrada, não havia outra altura?? Antes, or exemplo??  Respeito pela segurança ... e pela religião...

Eis que, com todo o cuidado e velocidade reduzida em que conduziam os carros na zona, pára tudo! Um peregrino atravessa a estrada para que outro, do lado oposto, lhe tire uma selfie, com os campos verdejantes por trás e um sorriso rasgado na hora. Peregrinação a quanto obrigas!

Por último, vejo um caminhante, com o cachecol do Benfica ao pescoço. Era eu uma gaiata, fiz uma promessa a Nossa Senhora para que o Benfica se sagrasse campeão europeu. Aprendi na altura a lição e desde então, nunca mais misturei estas duas religiões

Nossa Senhora estará certamente mais ocupada com situações mais urgentes, prementes e necessárias. É preciso dizê-lo?

Religiões... respeitam-se mas não se misturam.
Haja respeito.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Dizem que somos lamechas...





Dizem que somos lamechas, que choramos por tudo e por nada, que nos emocionamos ao mais pequeno gesto...seja ele agradável ou não.
Dizem que reagimos à pele, que não se pode dizer nada e que logo estamos a fazer um drama.
Dizem que ter blogues é foleiro, que é coisa de quem é, digamos... lamechas, onde se dizem e apregoam situações lamechas.
Lamechas... nada de alternativo, nada de out of the box, nada de fugir à main stream, seja lá o que isso for.
Pois defendo a lamechice, não só à flor da pele, como até à medula. A lamechice é uma normalidade que me agrada por demais.
Gosto de me emocionar com as situações.
Gosto de chorar baba e ranho a ver o Bambi e o Nemo e a Heidi e o Pretty Woman. 
Gosto de me emocionar com gestos, palavras loucas e, muitas ou poucas, com significado.
Gosto de me emocionar com a vida, os meus e aqueles que nem sonham que os considero meus ( e que, por isso , já muita porrada da vida levei).
Gosto de blogues foleiros de tão lamechas.
Gosto de expor as minhas palavras, lamechas e deixá-los falar.
Não que as minhas palavras sejam mais importantes que as outras. Ou mais lamechas. Mas são as minhas e que gosto de partilhar.
Havia de haver um dia Mundial da Lamechice.
Humm,,,, Acho que vou ligar para a Rádio Comercial!

domingo, 1 de maio de 2016

Mãe




Mãe
Que vens de mansinho
Que com carinho
Sopras a dor 
Que com calor
abraças o mundo
No teu colo

Que moves a terra
protegendo e segurando
Sorrindo, a partir de dentro
Do coração que bate
Desenfreado com medo
Que algo aconteça
Mas que cândido
Recebe o amor dos seus
Amores pequenos

Mãe
Que sopras curando
Que vives amando
Que encontras Deus
Na criação dos teus

Mãe,
Felizes os que podem
Dizer mãe.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Eu, no meio deles...Carrega, Benfica!!!



Dos quatro cá de casa, sou a única do Benfica. De resto, é tudo lagarto. E tenho de os ouvir a cantarolar o Sporting olé, e o só eu sei porque não fico em casa. A acrescer, ninguém os convence a ir à Luz. E mais ainda: de vez em quando vão a Alvalade. 
E eu vou com eles.
Sim , vou a Alvalade. 
Sim, pago (pagam-me!) bilhete para ver um jogo que, à partida, não me diz nada (pronto, se perderem uns pontos tanto melhor!). 
Sim, vou a Alvalade. É preferível do que ficar em casa e é mais um programa em família.
E qual a minha grande recompensa??
A roulote das bifanas e imperial, claro. Sim, sou adepta. Fervorosa adepta duma bela de uma bifana, com ou sem ovo, e uma fresquinha.
Ah, a satisfação, o sabor, a frescura... o belo do petisco, devidamente fiscalizado pela ASAE, acredito! :)
Enfim, depois de devidamente abastecida e mais satisfeita, lá tolero os 90 minutos, com mais umas queijadinhas de Sintra pelo meio ou, ainda melhor, na expectativa de mais uma bifana depois do jogo.

E lá os ouço cantar e gritar, como se não houvesse amanhã ( o que faria de peito cheio do outro lado da segunda circular!). 
E lá comento as atitudes de um treinador sui generis, sobre o qual estive de bico calado durante 5 anos. (Agora é que é desancar no homem, Jasus!) Mas baixinho, para ninguém perceber que têm o inimigo entre portas. E que os analiso como adversários, atacando atitudes, como um cavalo de Tróia!

Acontece que, salvo alguns momentos inusitados em que o coração vermelho me leva a dizer coisas menos próprias, sou muito respeitadora da preferência clubistíca de cada um. 
...fair play... 
...que ganhe o melhor...
... portuguesa acima de tudo quando se joga com equipas estrangeiras.
Mas, meus amigos...BASTA!

Recentemente, depois do nosso desaire frente ao Bayern e depois do que suportei lá em casa, digo-vos: vou gritar e festejar até mais não com os próximos jogos. Amor com amor se paga!
Porque sei que, se porventura o bruxo de Fafe tiver razão, ninguém os vai calar...
Porque este será um campeonato especial de ganhar : o 1º de Jesus do lado de lá ou 1º sem Jesus e com ele do lado de lá... De qualquer das formas, terá um gostinho que só os adeptos de futebol percebem...
Porque, ganhar um campeonato é sempre uma coisa boa...oh se é!!! Ainda mais se for o Benfica! Se correr mal...olha, a vida continua!

Então, eu no meio deles, vermelha até morrer, esta semana, vou gritar POOOOOORTO!!!!

Carrega Benfica, rumo ao 35º!!!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Liberdade a quanto obrigas





Neste dia, desejos avulsos:

- Que nunca nos falte a memória para reconhecer a força e coragem que parece faltar a este povo, que um dia se ergueu e lutou por ideais de Liberdade.

- Que saibamos descobrir, em cada acto, a nossa liberdade, na afirmação dos nossos valores, das nossas crenças, do que nos diz baixinho todas as noites o nosso coração.

- Que, dessa forma, saibamos dizer basta quando assim é preciso, que saibamos dizer assim não quando é demais ( e já é demais, minha gente!)

- Que saibamos honrar a nossa história, não da boca para fora, mas no empreendedorismo real e efectivo, sem dependências nefastas e algumas até obscuras.

- Que saibamos aplicar a Liberdade, na construção de uma sociedade melhor, de uma sociedade que respeita os valores humanos, reconhece capacidades, sem se basear em quotas, 

... Que honremos Abril! 


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
[Sophia de Mello Breyner Andresen]