Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.

domingo, 6 de maio de 2018

Mãe em pleno



Sejam mães em pleno. é essa a única forma de o ser. 
Não pode ser só um bocadinho, só pela metade, só quando dá jeito ou não nos incomoda.
Quem é mãe (em pleno) conhece o amor a si própria e o amor ao outro sem fronteiras, sem limites ou condições.
É uma benção enorme ser mãe, um orgulho, uma missão.
É a possibilidade de compreender o verdadeiro sentido do amor e da vida.
Feliz dia da Mãe.

terça-feira, 24 de abril de 2018

O papel? Qual papel?



Era uma vez um país. Chamava-se República do Papel.
Neste país, existiam pessoas empreendedoras. Muito. Que queriam desenvolver a sua vida, criando negócios e postos de trabalho.
Porém, existiam determinados entraves para que tal fosse possível. E quase todos residiam num papel.
Qual papel? 
Um papel. Um qualquer papel...
 que não foi bem preenchido, 
que não foi entregue, 
que não estava bem identificado,
 bem explícito,
que não previa todas as situações, 
que não justificava o que era necessário, 
que não identificava bem o destinatário ou o remetente, 
ou que devia ter ser entregue ontem e hoje já era tarde demais.
Exemplos? Muitos.

Vamos dar o exemplo de empresa do ramo alimentar: era preciso ter implementado um conjunto de regras que atestassem a qualidade dos produtos ou serviços. (até aqui tudo bem, não tenho nada contra regras que nivelem de forma positiva aquilo que nos faz ser melhores)

E que papéis eram precisos para cumprir com todas essas regras?

- HACCP implementado (vão somando os potenciais custos!!), que implica fazer:
- análises microbiológicas, organolécticas, de superfície, à água...
- papel comprovativo de aferição de balanças e instrumentos afins...
- licenças de captação de águas, com comprovativos de envio de volumes extraídos por mês...
- licenças ambientais, que obrigam a ter papéis que atestem:
- gestão de todo e qualquer resíduo (carimbado e comprovado)...
- dísticos à entrada do estabelecimento com indicação de lotação, horário de funcionamento, atendimento prioritário, indicação de estabelecimento que aceita ou não fumadores, e animais, e indicação da identidade de gestão de conflitos, e proibição de bebidas alcoólicas a a) e b) e c), e informação sobre alergénios, e lista de preços
- e papel afixado do horário de trabalho, do Relatório Único, o mapa de férias, e das horas...

(já ficaram sem fôlego?... era essa a ideia)

Assim se passava com empresas da área alimentar, mas com outras áreas acontecia o mesmo.

E, para além destes papéis, que supostamente atestavam a capacidade de uma empresa laborar, e que para se conseguirem ter, estrangulavam as empresas financeiramente (porque todos estes serviços adicionais se pagavam), nesta República, existiam pessoas empreendedoras, que não queriam saber nada dos papéis, trabalhavam na mesma, sem todos aqueles custos, mas, porque não estavam em nenhuma lista, não sofriam as visitas sempre stressantes de pessoas que fiscalizavam todos estes papéis e mais alguns.

Estas pessoas, a quem chamavam inspectores e fiscalizadores, tinham sempre uma característica comum, que permitiam que a República do Papel funcionasse: liam as leis dos papéis, feitas às vezes por cérebros iluminados que nada percebiam do que estavam a tratar, e verificavam se eram cumpridos.(Parece bem, certo?)

Depois existia algo que as distinguia verdadeiramente: 
- aqueles que construtivamente ajudavam as pessoas empreendedoras a corrigir erros e a indicar soluções construtivas
- e os outros que apenas penalizavam os empreendedores que lutavam todos os dias por um futuro melhor.

E aí vinha a pergunta: 
-O papel?
- Qual papel?

Porque, na República do Papel... sempre faltava um papel... e, ás vezes, assim, se apontava o dedo e  se aferia do dolo das pessoas... 
...mas das que estavam na lista!!!!!

(NOTA: qualquer semelhança com o nosso país, é pura verdade. Dura e atrofiante realidade)

quarta-feira, 14 de março de 2018

Legados

Incrível como, com a morte de Stephen Hawking, este mundo virtual se enche de citações e citações, mostrando como se valoriza, afinal, o que ele disse em vida. 

Aos 21 anos, todas as suas expectativas morreram (palavras do próprio) com o diagnóstico da sua doença, esclerose múltipla amiotrófica.

Em vez de uma vida vegetativa, lutou por deixar a sua marca neste mundo. E esta inundação de citações e RIP's é o sinal que, de facto, deixou. Mente brilhante.

Dos 21 aos 76, são 55 anos em que não baixou os braços, 2860 semanas em que não se deu por vencido, 20075 dias em que não deixou que as circunstâncias da sua vida determinassem o seu destino. Coração gigante.

Sigo um perfil duma mãe amargurada pela perda do cônjuge, de forma trágica e precoce. No meio do seu percurso de luto, muitas vezes incita os seus leitores a responderem à seguinte questão:

'Tell me one thing you did today to move your life forward in a positive direction.'
Digam-me uma coisa que tenham feito hoje para levar a vossa vida numa direcção positiva.

Pequenos passos fazem o caminho. 
E deixam a nossa marca no mundo.
Mesmo que pequenina...pequeníssima em comparação com o brilhantismo e a humanidade de Stephen Hawking.
Mas que, pelo menos,  sirvam de exemplo positivo, aos que nos seguem como tal. 
Assim, já o legado é enorme!







Aquele momento de total aniquilamento

Há momentos de total aniquilamento interior.
Onde, quando, de um momento para o outro, todo o alento nos abandona e o nosso interior se torna um vazio interior de um silêncio ensurdecedor.
Não há como fugir-lhe.
Não há como ignorá-lo.

Então, nesse momento, há que deixar tudo assentar. Mesmo que se instale uma tristeza profunda, difícil de explicar e justificar. Há que deixá-la tomar raízes, expressar-se... como se fosse essa a nossa última e definitiva definição.

Vamos deixá-la ser por uns momentos, por uns dias.
E lá no fundo do ser, vai chegar um momento ( sim, ele vai chegar!) em que, com toda a força dos nossos braços e de ferramentas poderosíssimas, como amor por nós próprios e dos que amamos, vamos arrancar esse aniquilamento, essa morte que nos roubou momentos de fruição de vida.

Renascemos.
Toda a vida é morte e renascimento.
Renasçamos.
Vivamos.
Na plenitude da nossa condição.
Na gratidão das nossas imensas bençãos.



domingo, 4 de março de 2018

Plágios e outras injustiças












A palavra plágio será, talvez, a mais votada do mês. 
Difícil concordar ou discordar se, de facto, existiu, quer no caso mais badalado de Diogo Piçarra, quer nos outros menos falados. ( será que alguém já associou O Jardim à banda sonora de Brokeback Mountain ????, I wonder...)

Com 7 notas apenas, será que as nossa influências mais ou menos distantes não condicionarão sempre o nosso processo criativo a nível musical? Com tantas inputs de todos o lado, o que é verdadeiramente inovador e original?

Na escrita, quem não tem as suas influências? Na pintura, no cinema... No nosso modo de falar, de comunicar?

Enfim , triste mundo este, onde a tentativa de quebra, de disruption, pode, em instantes, tornar-se demolidora de integridades que nunca deviam ser molestadas por esta sociedade de dedo constantemente apontado ao próximo.

Mas outras injustiças há disfarçadas de democracia. 
Esta semana, a minha teen participou num projecto bastante meritório, pelo envolvimento na sociedade civil que desperta nos jovens e a que o Agrupamento de Escolas de Alcanena aderiu. O projecto chama-se Parlamento dos Jovens e leva os nossos miúdos a preparar uma série de medidas que promovam melhorias na aplicação de determinadas leis, ou novas medidas que melhorem a vida dos cidadãos. Todos os anos têm um tema e este ano era Igualdade de Géneros.

O projecto desenrola-se por várias fases até chegar ao nosso Parlamento, em Lisboa. A minha teenager participou (aliás, esta foi a sua terceira participação) e, desta feita, ganhou a nível escolar e passou à fase distrital, que se disputou no início da semana. 

Da euforia da vitória pela manhã, passou à total desilusão na parte da tarde. Isto porque, apesar do seu projecto e dos seus colegas ter ganho, com o sistema implementado (e que pretende retractar o que se passa ao nível da real representatividade no parlamento), quem idealizou, preparou, trabalhou o projecto, não o irá defender mais porque a sua equipa não foi escolhida. 

Agora digam-me como se explica a estes míudos que, agora, alguém se vai apropriar das suas ideias e as vai levar como suas, para o nível seguinte?

É este o sistema que nos representa? Em potência, os deputados na Assembleia estão a apresentar projectos que não eram deles de raíz e alguém ficou pelo caminho? É esta a democracia e a justiça que defendemos?

Plágios há muitos. Uns escondidos, outros menos, outros à descarada.

É o que temos!

(Escusado será dizer que, apesar do imenso gozo que lhe deu participar, já tenho a promessa em casa de que esta foi a última vez que participou. Penso que o país acaba de perder uma excelente representante e defensora dos direitos de todos nós. Too bad...Your loss...)





segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As mães são chatas...



Isto de ser mãe de uma teen a completar hoje 14 ( - OH MY GOD! 14!!!) anos é muito difícil.

Porque o nosso coração de mãe sente-se imensamente feliz e realizado, tal como naquela quinta-feira lá atrás no tempo, que parece que foi a uma vida de distância.

Porque a nossa alegria nestes dias festivos é tanta que devia ser feriado e toda a gente devia ir para a rua festejar.

Porque, por ser teenager, temos de nos conter. Mãe de teenager que é mãe de teenager sabe que não deve envergonhar a menina dos seus olhos (Íris, portanto!) e começar a dizer baboseiras e mimalhadas que, nesta altura do campeonato da adolescência, já não ficam bem , já não são cool. 'Menos, mãe, ...muuuuuuito menos!' Como estas que escrevi há uns tempos mas que servirão de guia para a nossa vida, tenho a certeza.

Porque não podemos nem pensar em pôr a foto dos primeiros dias de vida. 'Que vergonha!'

Porque queremos muito gritar ao mundo que é o teu dia, mas só podemos fazê-lo com uma 'folha-de-pré-requisitos-para-mãe-de-adolescentes' que nos distribuem a cada dia, com aquele olhar de 'olha-aí-o-que-estás-a-fazer!'

Mas porque sabes a mãe que tens, também sabes que não me consigo conter.

E assim, espero ter acertado na foto (e no filtro) 😎. 

E desejar-te não só um dia feliz mas todos os dias dos teus 14, com uma grande força interior e paixão pela vida!

LY




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Dan Brown e a intuição de mãe



As emoções ainda estão ao rubro depois de uma tarde passada nos corredores do Centro Cultural de Belém. Quando a Bertrand anunciou que Dan Brown viria a Portugal apresentar o seu novo livro, Origem, fiquei logo alerta para não deixar escapar esta oportunidade.

E que oportunidade.

Sala esgotada para ouvir um dos escritores de maior sucesso no mundo. Apresentação cuidada, com momentos muito divertidos, um raciocínio lógico muito interessante. Tudo estruturado para quebrar o gelo de início, manter a atenção para o discurso, revelando q.b. de pormenores pessoais (que sempre despertam o interesse dos mais curiosos sobre a vida dos famosos) e de revelação de pormenores de bastidores das filmagens dos filmes baseados nas suas obras.

Uma dicção incrível, que grande lição de inglês para a minha filha, que adorou estar presente pela experiência em si e por ter compreendido tudo o que foi dito.
Confesso que o último livro, Inferno, não me deixou tão gratas recordações como a sua obra-prima, que o levou para as luzes da ribalta, “O Código da Vinci”.  Foi mesmo um inferno chegar ao fim do Inferno.

Mas há qualquer coisa na sua forma de escrita que não me deixa deixar de querer ler os seus livros. E a forma como apresentou o seu livro, sem ser spoiler, deixou-nos o interesse incontornável de pegar já na Origem para ler de rajada.

Fica para a história, a minha história o momento em que Dan Brown quis saber quem fez aquela pergunta na plateia. Oh ouh! Levantei-me da cadeira e pus o braço no ar. Senti o CCB inteiro a olhar para mim… não sei se estava se não (óbvio que ninguém tirou os olhos do escritor). A pergunta que fiz a Dan Brown e que transcrevi para o cartão dado pela organização foi se já tinha tido a ideia para o seu próximo romance. Dan Brown perguntou-me então se tinha filhos e se, depois de 10 minutos com o bebé nos braços o meu marido entrasse na sala sugerindo repetir tudo de imediato, se eu o faria. Agradeci a resposta, embevecida, confesso.
Uau! Dan Brown falou directamente para mim, gracejou com a minha pergunta. Pronto. Fiquei ainda mais rendida. Satisfeita, super satisfeita.

Acredito que, neste momento, se encontre focado em promover o livro que saiu para as bancas há 15 dias apenas. Mas acredito também que já o terminou há algum tempo, tempo para os tradutores o trabalharem para as línguas dos países onde saiu em simultâneo. E que agora queira descansar.

Se acredito que ainda não tem a origem da ideia do próximo livro? Intuição de mãe: com certeza que tem!

Boas leituras!