Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

41 aqui e agora

Hoje é um dia diferente. Este ano não é especial... (queridas amigas quarentonas: estão abertas as hostilidades dos 41, mas sem festejos!), não o sinto como tal e quero vivê-lo com serenidade e sossego. 
Foi um ano divertido, muito feliz,  muito intenso, muito doloroso, muito revelador, de tomada de consciência.
Abracei esta etapa, que é, afinal, mais um número a que damos, ou não importância, com entusiasmo, com a coragem de quem quer sorver a vida com tudo o que tem para nos dar. 
Dissabores sempre haverão. Muitos. Dores, desilusões ... imensas.
Porém, luto comigo para continuar positiva, para deixar esta mensagem de positivismo, sempre aos meus filhos  em primeiro lugar e aos que me rodeiam, que amo, que gosto.
A vida é estúpida... demasiado estúpida para lhe darmos importância. Não há hipótese para apenas "...sorrir e acenar, rapazes, sorrir e acenar!... " Há que saltar para a parada.
É isso que nos distingue, que nos torna diferentes.
Perseverantes.
Encerro os 40, com a mesma reflexão com que os comecei:


"Em muitas sociedades xamânicas, se fores ter com um xamã queixando-te de que te sentes sem ânimo, ausente de ti ou deprimido, é-te feita uma de quatro perguntas:
quando é que deixaste de dançar?
 quando é que deixaste de cantar?
quando é que deixaste de te encantar por histórias?
quando é que deixaste de encontrar conforto no doce território do silêncio?



(Gabrielle Roth)

... respondendo:
adoro dançar, 
gosto de cantar,
adoro encantar-me com histórias
consigo encontrar o meu conforto, no doce território do silêncio.

Vamos a isto? Quem vem?

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Porque sou contra o fim dos exames


Será um bom título para o que vou escrever? Será verdadeiro?
Ou seria melhor chamar a isto de palhaçada como escreve maravilhosamente bem o indignado pai Miguel Sousa Tavares na crónica do Público?
Como se atrevem estes senhores, que andam a brincar a mandar nos outros, a fazer estas alterações?
Não, não estou só a falar destas últimas decisões, feitas em pleno ano lectivo ( mas é preciso explicar porque é que isto é errado???), mas de todas as que ciclicamente, de 4 em 4 anos, ou sempre que muda o governo, ou sempre que muda o ministro, ou sempre que muda o tempo, estamos todos sujeitos. 
Não, não compreendo as razões da Catarina, que apressadamente faz passar decisões de fundo ainda sem governo constituído...
...não compreendo como se deixa, nas mãos de um cientista louco chamado Nuno Crato, as nossas criancinhas (e já agora os professores e as famílias) como ratos de laboratório a experimentar fórmulas e mais fórmulas de educação
Parem, por favor!
A educação não é uma brincadeira, em que saltamos de cadeira a qualquer mínima mudança ideológica, para satisfazer caprichos de uns e de outros...( Mas será preciso dizê-lo?? Para já não falar de como explicar às crianças:" as regras são estas!" e depois dizer:" só que não...")
A minha filha de 12 anos pergunta-me se sou a favor ou não dos exames neste e naquele ano.... Claro que ela prefere os exames nos anos que já estão para trás dela e não reconhece utilidade aos que se aproximam vertiginosamente do seu calendário escolar...
E eu nem lhe sei responder. Perante reflexões como esta sobre a educação na Finlândia e nos EUA, com a consciência de toda a manipulação publicitária a que estamos sujeitos, não sei o que responder.
Mas sei que o caminho não pode ser por aqui...
Não se pode mudar políticas de educação assim porque sim... ou porque não. Estamos falar de gerações de atrasos, gerações de experiências educativas falhadas...
Há que agregar, entre partidos e com a sociedade civil, opiniões e caminhos a seguir. Há que definir, com pactos de regime, políticas educacionais para as gerações vindouras e que não podem ser deitadas abaixo como quem joga um jogo de tabuleiro, se cansa e decide começar outro. São os nossos filhos, somos nós, é o país...
É isso que é preciso discutir, e não o "ah, fizeste? então vamos lá desfazer!...", como se fosse uma rábula à Gato Fedorento...
Não é bom.... é fraco, fraquinho, é mau... muito mau...
Parem lá com as brincadeiras...
Levem as nossas crianças a sério! Levem-nos a sério!
É para isso que vos elegemos! É para isso que vos pagamos!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A solidão e outras mariquices




Pronto, não é o post mais positivo para começar o ano mas é para o que nos dá...
Depois das festas, estou mais em modo Grinch e a desesperar por arrumar a árvore e  todas os enfeites de Natal espalhados pela casa. Toca a limpar tudo....
E quando limpamos tudo, quando realmente olhamos para nós, despidos de todos os enfeites e todas as máscaras, há uma coisa da qual não podemos de certeza fugir.... 
É a de que estamos irremediavelmente sós. Inevitavelmente sós. E enquanto não soubermos aceitar essa realidade, viveremos sobre a ilusão de que a mãe e o pai estarão sempre lá, e que o a/o nossa/o companheiro nunca nos deixará, que os filhos sempre dirão " Estou aqui" e que aquela/e amiga/o nunca te faltará.
A verdade é que esta estupidez, mariquice vá, da solidão é tão real, tão brutal e tão absolutamente inevitável... que, ou aprendemos a lidar com ela, e aprendemos ou reaprendemos a estar sozinhos com nós próprios ou seremos cada vez mais infelizes.
Relembrem quantas vidas já viveram com os vossos pensamentos, quantos "se" já construíram e desconstruíram, quantos sonhos levantaram na vossa mente e os mesmos pensamentos os derrubaram.
Esta mariquice não é brincadeira e dói... e por isso temos de aprender a darmos um abraço a nós próprios.
A verdade é que morreremos sozinhos. Ninguém irá connosco para nos fazer o favor de nos acompanhar.
Esta mariquice e a forma como lidamos com ela é a nossa salvação.
Acredito em Deus. E que nada me faltará. Mas há que fortalecer na solidão. Quando ninguém nos dá a mão e somos nós que temos que ir lá ao fundo do coração procurar o nosso conforto. Porque só nós percebemos como sentimos, porque só nós sabemos o que queremos dizer e só nós é que sabemos exactamente o que precisamos. O nosso abraço.
Felizes, mesmo se sós. Felizes, mesmo quando sós.
Portanto, deixem-se lá de mariquices...Bom ano!

"Solidão não se cura com o amor dos outros. Se cura com amor próprio." Martha Medeiros


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal do AEA: a ESPERANÇA, para além da paisagem...

Para além da paisagem , fazem-se coisas bonitas,
Para além da paisagem, fazem-se coisas de muita qualidade.
Para além da paisagem , há um mundo de pessoas de coração bom e empenhadas em fazer a diferença e um mundo melhor.
 Agrupamento de Escolas de Alcanena, obrigada por esta mensagem,: ESPERANÇA!


domingo, 13 de dezembro de 2015

Registe este número: 1460


Podia ser outro número qualquer mas não. Hoje vamos centrar-nos neste número:1460. Porquê?
Na sequência deste post, sobre slow parenting ou parentalidade serena, e sobre as páginas que também lá referi sobre o assunto, deparei-me com um artigo cujo título era 1460.
Não é a lotaria, nem o número de vezes que a Miley Cirus já escandalizou o mundo com atitudes diferentes, vamos dizer assim.
1460 são o número de dias que vão desde o nascimento de um bébé até que faz 4 anos. Segundo estudos especializados ( não aqueles que saem nas revistas de sala de espera do consultório) é durante este período que se molda, para a vida, toda a personalidade, toda a forma de ser daquelas criaturas pequenas que gerámos com tanto amor. É, por isso, de extrema importância. A individualidade, os pontos fortes e fracos, a forma como comem e dormem, as capacidades linguistas, as relações, a relação com o corpo, a vontade de aprender, a auto estima. Tudo se define nestes 1460 dias... pouco tempo, considerando que, numa esperança de vida média de 75 anos, ainda ficarão por viver 25.915. Mas tudo o que é realmente importante, desenvolve-se ali.

A nossa influência durante este período da infância, como pais, é, por isso, decisiva. Pelo exemplo que damos, ou não, pelo tempo (de qualidade) que dispendemos com eles, ou não. Pela forma como tomamos ou não consciência desse poder enorme que está nas nossas mãos, que nos foi dado por Deus como uma benção e que devemos nutrir com todo o cuidado e atenção... em todos os momentos, em cada inspiração...sempre.

Também não é preciso assustar... porque todos fazemos o nosso melhor. Mas 4 anos passam a correr. 4 anos são um abrir e fechar de olhos e, depois, já passou.

Há um tempo de consciência. De reflexão. E de acreditar que, como pais, como seres humanos, somos capazes.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Slow parenting: já ouviu falar?



Já tenho falado desta coisa terrível que se chama rotina. Especialmente a que nos faz caminhar desenfreadamente de um lado para o outro sem tempo para respirar ou para analisar sequer se faz sentido.
Recentemente, e como já várias vezes me aconteceu ao longo da vida, a vida vem e dá um estalo daqueles que nos atira ao chão e nos faz relativizar tudo.
E, como também já se percebeu, a razão maior da minha vida e onde me sinto perfeitamente realizada é a de ser mãe com todas as angústias do estarei a fazer bem, serei demasiado galinha ou estou a dar demasiada liberdade pelo meio.
Reconheço ainda que este último filho, aos 36 anos, me rejuvenesceu na forma de os olhar e de os aproveitar. Porque os amo incondicionalmente, claro está. E porque percebi que são aqueles momentos pequenos, de olhares cúmplices e de riso puro do coração que nos dão real felicidade. E que passam a correr.
Nesse sentido, tenho reflectido bastante  sobre a melhor forma de nos fazermos felizes nesta família que críamos.
Foi quando me cruzei com textos  sobre slow parenting.
O conceito já vem a ser desenvolvido há uns anos e parece ter cada vez mais adeptos. Na minha opinião, porque cada vez há mais pessoas que param e pensam: "Para quê esta correria?"

E o slow parenting (vamos lá tentar uma tradução livre: parentalidade serena...?), incentiva a que paremos. Simplesmente paremos e observemos os nossos filhos. Sem criar expectativas e ouvindo realmente o que dizem... porque eles até são muito bons nisso!
"Ah, mas o meu filho tem 21 meses e não mete nada à boca! Ah, mas o meu já tirou as fraldas há muito tempo... Ah, mas o meu é top na escola e ainda faz natação, e andebol e toca 5 instrumentos!..."

E esquecemos que cada um tem o seu ritmo... e esquecemos que cada um é único e descobre o seu caminho... quando tem de descobrir. Rótulos e mais rótulos de bom, mau, péssimo. Isto cria medo e até pânico de não corresponder às expectativas. Medo de falhar...constante.
Criou-se também a noção de que os miúdos não podem estar sem nada para fazer. E então temos que lhe dar televisão (demais), um dvd (visto pela enésima vez), um tablet com jogos ( alguns até não adequados à idade), uma actividade extra curricular (uma??!!! dez, no mínimo). Tudo para os manter ocupados...
Digam lá, como filhos dos anos 80, não construíram carrinhos de rolamentos, ou um walky talky com duas latas nas pontas e um fio entre elas e não pregaram partidas aos pais com fio de coco espalhado pelo corredor, a ver quem dava o tralho maior... - é melhor ficar por aqui, se não ainda dizem que estou a apelar à violência. Mas todas estas brincadeiras vieram do não fazer nada, ou do não ter nada para fazer... e, sabem que mais? Fomos  criativos...e tão felizes!!
Hoje parece que, se não tivermos actividades planeadas para todas as horas do dia, somos negligentes, não prestamos a atenção devida aos pirralhos e há até um sentimento de culpa associado.
O movimento de slow parenting encoraja as famílias a fazerem as coisas não devagar mas ao ritmo certo. E que os momentos sejam realmente apreciados, mesmo se for um momento de silêncio ou de partilha. Vamos parar, observar, realmente ouvir.
A infância não é uma corrida. O mundo escolar já está tão repleto de avaliações e escalas e regras e modelos e expectativas...
Já sabemos que as famílias sem apoio familiar próximo vêem-se na contigência de recorrer à ocupação do tempo dos filhos em actividades em non-stop porque os seus horários de trabalho são incompatíveis com este tempo de folga que deixou pura e simplesmente de existir para os miúdos.
Também há quem mude radicalmente modos de vida para não perder estes tempos de que vamos ter tantas saudades.
São muitos os sites que nos apontam caminhos para quem quiser reflectir um pouco sobre isto. Num deles (http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2014/10/conheca-o-slow-parenting-que-defende-criacao-dos-filhos-com-menos-pressao-4625912.html), aparecem resumidos os seguintes mandamentos do slow parenting:
Ouvidos atentos: escutar é fundamental para uma relação de confiança.
Miniexecutivo: as crianças não precisam de cumprir diversas actividades e sentir o peso de agendas sobrecarregadas.
Menos, menos: deixe tempo para a criança brincar. A falta deste espaço, somado à alta carga de cobrança, gera ansiedade e sintomas físicos.
Tédio faz bem: são nestes momentos que a mente se expande a livres pensamentos, desenvolvendo a criatividade e diminuindo a ansiedade.
Ócio familiar: a família toda precisa entrar no clima slow. Deixar a agenda livre faz bem a todos. As crianças até cinco anos devem aprender de forma livre, sem agendas estruturadas.
Novos amigos: é importante deixar a criança se relacionar com outras crianças. O círculo social dos filhos precisa ser maior do que apenas o círculo familiar.

Por isso, pessoal, toca a abrandar! Não queiram ser super pais com  super miúdos! Há muito que se lhe diga em relação a esse super. De uma qualidade, passa a ser um carrasco que só nos traz infelicidade.
Palavra de mãe acelerada (mas trabalhando para abrandar)!

Outros sites que podem visitar:
https://slowparentingmovement.wordpress.com
https://www.bostonglobe.com/lifestyle/2015/05/10/the-benefits-slow-parenting/2LImOAIyqElORCStgOADSI/story.html
http://parenting.blogs.nytimes.com/2009/04/08/what-is-slow-parenting/?_r=0



domingo, 29 de novembro de 2015

A Árvore do Amor: Christmas Is ON!


Pronto, já fizemos a árvore de Natal.
Aqui em casa, a dimensão do Natal transformou-se com a chegada dos filhos.
O mais pequeno ontem gritava: " O Natal chegou! O Natal chegou!"
Dos chocolates que não vão durar uma semana pendurados, aos presentes (Pai Natal, portei-me bem!!!!!),  o brilho nos olhos, as brincadeiras, a dança em torno da árvore ao som do pinheirinho, o colocar da estrela, sempre com o pai a levantar um deles lá no alto... vale mais do que tudo. A inocência, a alegria... a magia.
Por isso, voltamos a acreditar no Natal, a celebrar o que nos faz felizes como família, como uma construção diária de afetos e beijos (muitos) e abraços ( apertados) envolto numa magia diferente do resto do ano. 
Este ano, mais uma vez quebrámos a tradição por falta do feriado a 1 de Dezembro (talvez para o ano, Costa?...)...e falta o mais importante, o presépio, que fica apenas adiado por uns dias, por falta de musgo. Lá chegaremos!
Mas este ano, sob nome de código "Projecto Parede", do qual apenas eu e a mais velha tínhamos conhecimento ( a decisão era: need to know basis), fizemos outra árvore a que chamámos a árvore do amor.
A ideia apareceu numa imagem do Pinterest e depressa decidimos que iríamos pegar em imagens já arrumadas numa pasta lá no computador, que provavelmente já não iríamos apreciar e fazer uma colagem de momentos, sem overthinking, mas que nos trouxessem aquele sorriso que vem do coração como uma memória feliz.
Esta é uma árvore construída do carinho e representa o que nos fez sorrir nos últimos tempos.
Pronto, já fizemos as nossas árvores de Natal.
Christmas is ON!