Porque há vida para além da paisagem... para além da rotina diária, do mundo das notícias e do ecrã. Reflexões daqui, dali de acolá ... e de cá de dentro, que é onde a nossa paisagem se molda e gera paz.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Isto é que é Natal




A rotina tem-se vindo a repetir. Assim , torna-se tradição.

Dia 1 de Dezembro (e ainda bem que voltou a ser feriado, embora este ano não fizesse muita diferença) é dia de montar a árvore de Natal. Banda sonora natalícia a acompanhar, caixas e caixas resgatadas do sótão depois de 11 meses de reclusão.

Et voilá! A árvore toma vida, a sala despe-se dos quadros habituais para dar lugar a adventos e ideias de um conforto que nos chega ao coração de forma diferente.

O pequeno, cada vez menos pequeno, diz que, em cima do banco já chega ao topo da árvore. Mas ainda assim, a tradição manda que é às cavalitas do pai que se põe a estrela lá no cimo. O momento mágico tem direito a registo fotográfico para a posteridade, mesmo que as fotos fiquem esquecidas, porque algo embaraçosas, entre pijamas e olheiras e cabelo despenteado, num disco externo nas cópias de segurança. Razão tem a mais velha, que já fica atrás da lente no momento do flash.

Para além desta árvore tradicional, temos levado a cabo sempre uma árvore alternativa. Haja Pinterest para nos dar ideias. Mas é sempre muito nossa, 
...ou porque são as nossas fotos mais significativas, 
...ou porque feitas com ramos de árvores que colhemos no jardim, 
...ou porque nas caixinhas que escolhemos e pintámos este ano, ficam objectos aos quais concedemos significado especial.

Esta, deste ano, tem a luz de algo nosso, apontamentos que tiramos da árvore de sempre, uma bola de neve que faz as delícias dos olhos do Vasquinho, a árvore de rolhas de cortiça que colámos o ano passado, recordações de prendas do jardim de infância e trabalhos manuais que nos chegaram da escola. 
É irrepetível.
É nossa, tão nossa. E linda de morrer. Por isso aqui a mostro. 
Por isso é Natal, cá em casa.
Desejamos que em todas também. Com este espírito. 
Porque entre discussões (que também as houve, ah simmmmm!) sobre se a árvore está direita ou não, sobre se os enfeites já são de mais e sobre quem varre o chão no fim da montagem... adoramos isto. E amamo-nos muito.

E isto é que é Natal.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

15 anos, sem fotos





Percebes que tens a adolescência instalada cá em casa, quando procuras uma foto da teen, para lhe dar os parabéns e simplesmente não tens!

Bem... não é bem assim. Há por aqui umas quantas. Mas mãe que é mãe de teenager sabe que há fotos que não se podem usar... e que, a bem da verdade, são quase todas. Desde aquelas em que estás a dormir até às que tens apenas um fio de cabelo fora do sítio mas que estragou o look. Também tenho muitos screeshots de peças de roupa que me queres convencer a ir comprar.

Parabéns, minha filha, pelos teus 15 anos. Agora já não faz muito sentido acordar-te com a música do Batatinha mas serás sempre a minha pequenina, de olho muito aberto e que se tornou numa menina quase mulher linda, responsável, simpática e muito amiga.

O mundo para ti, no seu melhor. E a Lua também. E o Sol. E os anéis de Saturno. E macarons de todas as cores e sabores.E tudo o que desejares e te fizer feliz.

Amo-te muito!

(Olha... descobri esta!!!!

Eh eh eh )




terça-feira, 23 de outubro de 2018

O meu filho dá montes de erros!!! E agora???


"As crianças não nos ouvem, IMITAM-NOS!"

Tenho uma aversão visceral a erros ortográficos.
O meu puto de 7 anos, agora no 2º ano, começa a escrever os seus textos e a fazer as suas fichas de português mais elaboradas... e dá montes...carradas... paletes de erros!
Ainda me dá uma coisinha má. Juro.

Com formação em línguas, isto para mim é de cair para o lado cada vez que o vejo a escrever com calinadas.

Sei bem que ele tem as suas preferências muito definidas: uma bola nos pés, uma ferramenta nas mãos, mexer na terra, correr ao ar livre... e, cá dentro, um belo joguinho na PS4. E uma vida a borbulhar nas veias que o impede de sossegar um minuto que seja.

Mas também sei que os miúdos, como sempre assim foi (que esta coisa de gerações diferentes aqui, neste caso, não se aplica) fazem pelo exemplo.
Sei que tenho lido muito pouco ultimamente. E que o gosto pela leitura, que é a melhor ferramenta para deixar de dar erros ortográficos, se incute desde pequenino e nisso tenho falhado.

Não pretendo arranjar desculpas. Falhei está falhado, não se falha mais nisso. Repito: não se falha mais nisso. Não vou falhar mais nisso. 
Já está instituído lá em casa: 
-Todos os dias vamos ler um bocadinho. 
-Todos os dias vamos fazer três linhas de cópia (o professor que tem não manda muitos trabalhos, por isso vamos insistir)
E depois o resto.

E vamos deliciar-nos com histórias maravilhosas.... tantas que estão por ler.
(Agora estamos agarrados ao Livro com Cheiro a Caramelo, da Alice Vieira, com histórias de uma página... não maçam, permitem o foco para esta criança que tem dificuldade em manter-se atenta, e são encantadoras)



OK. The plan is in motion...

Isso não impede, obviamente, que cada erro que tenha dado no teste de português que fez ontem, o vá corrigir 10 vezes em casa... Fora a correcção do professor! 
Que isto de ter filhos a dar erros é que não... Se não, caio para o lado. Juro mesmo.
Já me basta ter de os ver a escrever com o Acordo!

Chiça, que uma mãe não suporta tudo!!!






segunda-feira, 17 de setembro de 2018

1ºDia de Aulas - Here we go again...





Here we go again…
A vontade não foi muita, mas lá foram eles novamente para a escola.

Ah… o que eu adorava a escola, estes inícios eram sempre bem-vindos e entusiasmantes. Cada começo era uma magia e sinto ainda hoje que, se tivesse seguido uma carreira dentro da escola, teria sido e seria muito feliz. Entusiasma-me verdadeiramente. Coisa que os meus filhos, pelos vistos, não herdaram de mim.
Uma no 10º outro no 2º, serão novos desafios. Uma inicia a escolha num caminho académico, ainda sem luz ao fundo do túnel porque nada ainda surge como extremamente apelativo. Outro aventura-se num ano onde terá provas de aferição (outra vez, isto???!!!)
Num agrupamento quase hiperactivo, com distinções a diversos níveis e o reconhecimento de toda a comunidade, esperam-se novos projectos, que devem aproveitar. Não serão muitas as escolas com um dinamismo deste nível, o que me deixa bastante satisfeita. Não há mundos perfeitos, mas ter esta opção para os meus filhos, é muito gratificante. E os pais devem ter isto em atenção e conhecer o que o Agrupamento de Escolas de Alcanena oferece e a sua qualidade. Vejam só este vídeo, que já aqui partilhei, e que o Agrupamento voltou a utilizar este ano no lançamento do ano lectivo. O vídeo está excepcional, deste a música à edição, duma criatividade spot on e que fizeram muito bem em continuar a divulgar.

Só me irrita esta contínua experimentação em que os miúdos são as cobaias. Já expressei várias vezes esta opinião de que há que existir uma profunda reflexão sobre a educação a nível nacional, onde se chegue a um pacto de regime, permitindo uma estratégia concertada para a educação para futuras gerações. Isto de “agora vamos experimentar isto, para o ano tentamos aquilo” já chega.

As rotinas alteram-se, os horários rijos implementam-se e começamos a funcionar em modo autómato.

E aprendemos e crescemos! Eles e nós, que os acompanhamos. Porque o caminho é partilhado e todos temos o nosso papel.



Here we go again…
The only way is up!



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Fomos à Tomatada

Na minha Bucket List mental, tinha um item: ir uma vez à Tomatina, em Espanha.

Pois bem, a Associação 20Km de Almeirim organizou, no dia 1 de Setembro, o Todos à Tomatada, um evento que acaba por fazer lembrar o espanhol, mas bem aqui pertinho.



Com a curiosidade de uma primeira experiência lá fui, com a minha cara metade. Programa a dois curioso, mas muito divertido e que permitiu momentos ricos de alma, de vida. Que exagero, dirão alguns, mas assim foi. Que isto de andar à tomatada tem um je ne sais quoi de libertador...Ah, pois é!


O evento estava muito bem organizado e foi bem acolhido pelas pessoas. Muitas críticas se ouviram sobre a utilização dos tomates, mas tudo foi justificado pela organização, com a utilização de produto já impróprio para consumo humano e que ainda assim, no final da noite foi recolhido e distribuído a animais. 

Não tenho muita paciência para fundamentalismos, as identidades do povo também se veêm nestas manifestações, que servem tanto de aproximação cultural (dentro da povoação e por esse país todo, tantas as localidades representadas) como de divulgação de regiões, destacando um dos seus produtos mais significativos. Por isso, almas incomodadas, não se matou nenhum animal, e deixem lá o povo divertir-se, em vez de se armarem em Velhos do Restelo rezingões, que tiram a graça a tudo... Relaxem um bocadinho!

Quanto ao evento em si, a coisa requer alguma preparação: calçado que proteja os pés, óculos, telemóvel com capa de isolamento... Assim, torna-se mais agradável. Recebemos também indicações para esmagar primeiro os tomates antes de os arremessar. E pronto, a seguir é libertar a criança cá de dentro do peito e rir... rir muito!



Como sugestões, dado o calor que se faz sentir, talvez pudessem fazer  o evento um pouco mais tarde, o que permitiria também viver a Tomatada de dia, ao pôr do sol e de noite. Com iluminação, as fotos também devem ficar bonitas! Mais chuveiros. Mais divulgação dentro da cidade ( por exemplo, no hotel onde ficámos, ninguém sabia da iniciativa e onde ia decorrer). E que dentro dos tractores, apenas fique pessoal da organização, que isto há sempre quem se estique e mande os ditos inteiros, causando algumas nódoas negras.

De resto, parabéns e até para o ano!







PS: Alguém sabe como se tiram nódoas de tomate da roupa?! ...Muito agradecida...


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O quase paraíso



Quase, quase... o paraíso.
Tenho um colega de trabalho, de uma vida inteira, que sempre disse que queria era ir para a ilha. Penso que ele nunca pensou bem qual... desde que lhe desse descanso e uma vida desafogada. O paraíso, portanto.

Estive na ilha de Cuba. Paraíso? Quase.

Trago um misto de emoções em relação a esta ilha e aos cubanos.  Gostei muito de conhecer, a história de Cuba é realmente muito interessante e foi muito bem explicada pelo nosso guia de visita a Havana e é riquíssima.

Não deixa de ser curioso ouvi-los e perceber que têm um orgulho imenso no seu país e que aceitam a sua realidade,  floreada para turista ouvir. A realidade cubana é difícil, com ordenados de 10 euros por mês, apesar do guia dizer que agora chega aos 100. Com horários das 8 às 5, sem pausas ou autorização para comer. Sem folgas. Mas é assim. E se é assim, não se discute.

Há regras ou formas de fazer as coisas que não se contestam.
Se há um furacão e estragos, tanto privados como estado têm 15 dias para recuperar as coisas. É regra. Mas depois, há imensas casas degradadas e obras de remodelação em todo o lado. Devido ao clima, dizem.

A educação é grátis, até à universidade. Antes de entrar, fazem um teste de todas as áreas do saber. Escolhem-se 5 áreas de que se gosta. Os resultados serão mais favoráveis em pelo menos uma delas e, assim, estudarão algo que lhes agrada. Desde cedo, é introduzida a prática nos estudos e não só a teórica. Assim, quando saem da universidade já sabem praticar efectivamente uma profissão.

A saúde é grátis. Toda a gente tem acesso. Excelentes médicos. No entanto, sem condições no hospital, como relatarei aqui.

Tudo parece bem na ilha de Cuba. Até os americanos, em Guantanamo, estão controlados por uma enorme barragem, que, em caso de conflito, será aberta e os inundará sem problemas. Sem armas.

A taxa de criminalidade é muito baixa. E, diz-nos o guia, em Espanha, numa feira de turismo recente, Cuba foi considerada o país mais seguro do mundo. Pode passear-se pelas ruas, fora dos resorts, sem problemas, a qualquer hora do dia. Então porque têm as janelas das casas grades?- alguém pergunta.
E justifica-se com os materiais disponíveis para construção nos vários períodos: ferro fundido no século XVIII: grades, período da crise depois do colapso do principal parceiro comercial (União Soviética) e com o embargo dos americanos, instabilidade, ferro forjado: grades. Agora, não há necessidade de grades. Mas existem.Mas é assim. E se é assim, não se discute.



Os mares são lindos e quentes, a qualquer hora do dia. Neste período, de chuvas, quase todos os dias é dia de trovoada. E bem forte. Mas segue-se a vida, como se nada fosse. Nada se interrompe. Nem o banho da praia ou da piscina. Daqui a nada passa.

São bem dispostos, sim. Mas não o povo mais simpático do mundo. Só se previrem que darás gorjeta generosa, ou se nessa noite serão avaliados.  Aí só sorrisos.

Aí falham as companhias e cadeias de resorts mundiais, que, para além de explorarem os trabalhadores, não transmitem padrões de qualidade a que estamos habituados noutros lados com o mesmo tipo de hóteis. Dizem estes que têm uma política de qualidade com normas da família da ISO 9000.... Digamos que é uma família bem afastada, que permite a degradação dos quartos em hotéis de 5 estrelas, e falta de limpeza. Só temos 28 anos de turismo, dizem. É assim, não se discute.



Gostei? SIm, bastante. Trazemos, das viagens, muito mais do que aquilo que levamos. Adorei poder proporcionar este conhecimento do mundo aos meus filhos. Voltaria? Provavelmente, não. Muito mais para conhecer. E outros locais de recordação mais agradável do que a ilha para pensar em revisitar.

Paraíso? Quase... Um quase assim de braços bem esticados. 


sexta-feira, 6 de julho de 2018

Cuidem de vós!



No início deste ano, fui submetida uma intervenção cirúrgica, onde fiz a correcção nos dois pés  do Hallux Valgus, vulgo deformação da base do 1º dedo do pé que provoca uma saliência óssea – exostose, vulgo joanete.

Ao contrário do que se possa pensar ou vulgarmente se pensa, não foi uma intervenção estética. Os joanetes provocam muitas dores, é difícil conseguir calçado confortável. Diz-me o meu operador que 90% das pessoas que têm joanetes são mulheres, causados pelo uso de sapatos apertados na parte dos pés e pelo salto alto. 

No meu caso, tinha joanetes desde os 10 anos, altura em que não usava nem sonhava andar de saltos altos e bico fino. Deve-se a uma propensão genética. A minha avó e mãe tinham também e muito pronunciados.

Ao fim de 42 anos decidi-me a fazer a cirurgia, aos dois pés em simultâneo. Mais uma vez, nas palavras do meu operador, quando me observou os pés pela primeira vez: "Não sofra mais, minha senhora!"

Esta não é uma operação fácil. Dir-me-ão que nenhuma é, mas queria deixar-vos aqui o meu testemunho que pode ajudar alguém, quem sabe. Digo que não é fácil porque envolve muita dor, controlada com uma anestesia aos pés que dura praticamente 24 horas e por medicamentos para as dores de 4 em 4 horas, com um mais forte em caso de SOS.

Os primeiros 10/12 dias foram, de facto, muito dolorosos mas optei por fazer a cirurgia aos dois por sugestão do médico ( a tecnologia e os avanços médicos assim o permitem) e para evitar passar pelo processo duas vezes, anulando mais dois ou três meses de inactividade.

Não é fácil também para a nossa família, que de repente, porque nós decidimos e não eles, se vêem com uma quase acamada, muito dependente para tudo o que éramos nós a fazer e agora não conseguimos (Atenção que, nestas cirurgias, a alta é no próprio dia e somos encorajados a começar logo a andar pequenos percursos, com calçado específico, para evitar retenção de líquidos). E a eles agradeço a ajuda e louvo a aprendizagem que também lhes impus ;)

Parte do meu trabalho é à secretária, parte é feito andando e desandando, pelo que a falta de mobilidade é angustiante. Daí ter preparado a cirurgia também para um período de menos trabalho. Mas a quem tenha este problema e possa, aconselho a fazer. Fi-lo para ganhar qualidade de vida... e lá chegarei.

Passados quase 6 meses da operação, onde por vezes não olhei por mim e abusei, não descansei porque tinha de andar e desandar, porque já estava há muito tempo parada e muitas pessoas não entendem porquê, porque o trabalho nunca pode esperar, porque tudo o que se faça é sempre pouco, tenho uma dor alucinante no pé esquerdo, que quase me impossibilita de andar novamente. Felizmente, porque parei de andar, não cheguei à fractura por stress que afecta a área do pé e para a qual me faltam termos técnicos para melhor a definir.

Conclusão da história: o corpo dá-nos sinais, devemos ouvi-los... mais do que ouvimos aquelas vozinhas em cima de nós a dizer: "Vai, trabalha, que isso passa, que isso não é nada..."

Somos nós que temos a saúde nas nossas mãos e, se a descuramos, vamos sofrer as consequências com danos colaterais e recuperações mais demoradas.

Por isso cuidem de vós! Não deixem para amanhã. 
Pode não ser tarde demais, mas pode dar-vos mais dores de cabeça do que inicialmente previram.
E depois têm de vender os bilhetes dos Scorpions porque não podem estar de pé...